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“A Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV), criada em 19 de dezembro de 1994, é uma das unidades orgânicas da Universidade Politécnica de Viseu (UPV), integrando-se na rede de ensino superior público português, sendo já uma referência no ensino agrário no país.”

Escola Superior Agrária de Viseu com novas instalações

Entrevista com o presidente, Prof. Dr. Hélder Viana

 

A Gazeta de Sátão (GS) entrevistou o seu presidente, o Prof. Doutor Hélder Filipe dos Santos Viana (HV).

Gazeta de Sátão (GS): Após 32 anos a transmitir conhecimento científico no âmbito das ciências agrárias, a ESAV irá, finalmente, ter novas instalações. Quais as principais valências que terá e para quando está prevista a sua abertura?

[HV]: Estas novas instalações pedagógicas vêm colmatar carências que a ESAV sentia praticamente desde a sua criação e representam, por isso, um marco muito importante na história da Escola. Este investimento é também o resultado do trabalho desenvolvido ao longo de três décadas por toda a comunidade académica da Escola Superior Agrária de Viseu.

A concretização de um investimento desta dimensão foi possível graças à visão estratégica e ao empenho da atual Universidade Politécnica de Viseu, mas é igualmente fruto do trabalho e da dedicação de sucessivas gerações de docentes e trabalhadores, bem como dos nossos estudantes e antigos estudantes, que são os maiores embaixadores da qualidade da formação ministrada na nossa Escola.

Estamos certos de que estas novas instalações contribuirão significativamente para aumentar a atratividade da ESAV, para captar novos estudantes, desenvolver novos projetos de investigação e criar novas ofertas formativas nos diferentes graus de ensino. O edifício dispõe de novos laboratórios, dotados de equipamentos e tecnologias de ponta nas diferentes áreas de atuação da Escola, salas de ensino, um auditório e novas instalações administrativas, proporcionando condições de ensino, aprendizagem e investigação muito superiores às que dispúnhamos até agora.

As instalações encontram-se já concluídas e a sua inauguração está prevista para o início deste semestre, permitindo que entrem plenamente em funcionamento no novo ano letivo.

[GS]: No âmbito do ensino e investigação, tem atuado em diversas áreas, desde as Ciências Agrárias, Alimentar, Animal, Veterinária, Biotecnologia e Proteção Civil. Que cursos são atualmente ministrados na ESAV?

[HV]: A ESAV oferece atualmente formação em diferentes graus de ensino, procurando responder às necessidades de qualificação nos vários domínios das Ciências Agrárias, Alimentares, Florestais, Animais, Veterinárias, da Biotecnologia e da Proteção Civil.

Ao nível dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), com a duração de dois anos, temos os cursos de Agricultura Biológica; Gastronomia, Turismo e Bem-Estar; Produção Animal; Proteção Civil; Viticultura e Enologia; Fitoterapia e Plantas Aromáticas e Medicinais; e Alimentação Saudável. Temos ainda o CTeSP em Fruticultura e Viticultura, a funcionar em Moimenta da Beira, e o de Florestas e Interpretação da Natureza, em Carregal do Sal, reforçando assim a nossa ligação ao território e às necessidades específicas da região.

Ao nível das licenciaturas, a ESAV ministra Enfermagem Veterinária, Engenharia Agronómica, Engenharia Alimentar, Tecnologia, Sustentabilidade e Gastronomia, Engenharia Zootécnica e Biotecnologia.

A oferta de mestrados compreende Engenharia Agronómica, Biotecnologia Industrial, Enfermagem Veterinária em Animais de Companhia e Tecnologias da Produção Animal. A este percurso formativo junta-se já o Doutoramento em Sustentabilidade Agro-Alimentar e Ambiental (SA3), desenvolvido em parceria com outras universidades politécnicas, permitindo à ESAV oferecer formação desde os cursos técnicos superiores profissionais até ao grau de doutor.

Estamos também a fazer uma forte aposta nas microcredenciais e na formação de curta duração, particularmente em áreas tecnológicas e emergentes. São exemplos as Tecnologias Digitais Aplicadas às Ciências Agrárias e Veterinárias, a aplicação da Inteligência Artificial e da realidade aumentada à agricultura, floresta e pecuária, a pilotagem e aplicação de drones e a digitalização na segurança alimentar, entre outras formações que estamos a desenvolver para responder às novas competências exigidas pelo mercado de trabalho.

Procuramos, desta forma, manter uma oferta formativa diversificada, atual e cada vez mais ligada à tecnologia, à inovação e às necessidades do território e das empresas.

[GS]: Em termos de empregabilidade, quais têm sido as principais saídas profissionais dos alunos?

[HV]: Nos últimos anos o número de estudantes a formarem-se em Ciências Agronómicas, Florestais e Zootécnicos não tem sido suficiente para a oferta do mercado pelo que estas áreas têm uma empregabilidade muito grande. As empresas e agentes do sector devem também fazer um esforço para melhorar os salários dos Técnicos Superiores para haver uma maior atratividade dos jovens para estas áreas fulcrais para o tecido económico do país e para a coesão territorial do interior.

[GS]: Quem se quiser candidatar a algum destes cursos, como deverá proceder?

[HV]: Há diversas formas de candidatura, desde o Concurso Nacional de Acesso ao ensino Superior, concursos especiais de acesso, maiores de 23. As diversas modalidades podem ser consultadas na página da ESAV ou da UPV ou em alternativa os candidatos podem fazer o contacto direto que são esclarecidas todas as dúvidas.

GS – Recentemente, o IPV passou a Universidade Politécnica de Viseu. Qual será a mais-valia desta alteração?

[HV]: A recente alteração ao Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) assume particular importância por poder reforçar a autonomia das instituições, melhorar os modelos de governação e valorizar a participação da comunidade académica nos processos de decisão. A criação da Universidade Politécnica de Viseu pretende-se que signifique maior capacidade de resposta aos desafios atuais do ensino superior, da investigação, da inovação e da ligação à sociedade. Esta ambição era antiga e só foi possível pelo empenho e determinação de várias pessoas, com a liderança do Sr. Reitor da UPV, Prof Doutor José Costa, acompanhado por todas as Unidades Orgânicas.

Este feito é um marco fundamental que alavanca toda esta região. Cabe-nos continuar a consolidar a instituição mantendo um caminho de excelência que nos caracteriza.

[GS]: Num momento de constantes transições globais, desde as alterações climáticas, a redução dos gases com efeito estufa, a necessidade de continuar a produzir de forma sustentável, as novas tecnologias, a tecnologia de precisão, a maximização dos recursos disponíveis, envelhecimento do setor agrícola, o êxodo rural, o abandono dos campos e os incêndios, são certamente preocupações constantes. Neste âmbito, como pensa dar resposta a estes desafios?

[HV]: A evolução do mundo molda necessariamente a forma como o ensino superior terá que se adaptar e dar respostas ao contexto em que vivemos. Atravessamos um período de mudanças rápidas em vários sectores, cheio de desafios, mas as potencialidades são hoje infinitamente superiores a qualquer momento da história da Humanidade.

Temos ao dispôr poder computacional, inteligência artificial, robótica, etc. Devemos ser capazes de adaptar as tecnologias a este sector aumentando a eficiência, a produtividade e o rendimento que permita captar pessoas jovens para se fixarem-se nestes territórios. Só com a presença Humana e a atividade económica se pode combater a desertificação e os incêndios florestais. A ESAV já integrou a Digitalização nas suas formações e vai continuar a apostar em formações inovadoras e com futuro.

in Gazeta de Sátão

25 agosto 2026

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